O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje a execução de Niño Guerrero, líder da maior facção criminosa da Venezuela. A declaração foi feita por meio de uma postagem nas redes sociais, por volta das 23h07 de 12 de junho de 2026. Segundo Trump, a operação foi realizada pelo Comando Sul dos Estados Unidos, sob suas ordens diretas, em parceria com forças venezuelanas. Ele classificou a ação como um "ataque rápido e letal" contra uma das organizações terroristas mais perigosas do planeta.
O que aconteceu na operação que matou Niño Guerrero?
De acordo com a publicação do presidente norte-americano, a missão foi executada em "estreita cooperação com nossos amigos na Venezuela, com quem estamos trabalhando muito bem". Trump enfatizou que a operação eliminou o chefe máximo do Tren de Aragua, grupo que ele descreveu como uma das organizações criminosas mais sanguinárias. A postagem incluiu uma citação direta: "Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque rápido e letal para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua". O governo dos EUA já incluía Guerrero entre os acusados de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
Quem era Niño Guerrero, o fundador do Tren de Aragua?
Niño Guerrero é o apelido de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado como fundador e principal líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua. Ele iniciou sua trajetória como líder da Penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua, onde consolidou seu poder e transformou a prisão em uma base operacional. Sob seu comando, o grupo estruturou uma hierarquia rígida, com acesso a armas de guerra e controle sobre negócios ilícitos. Guerrero era considerado o chefe máximo da facção e seu nome constava na lista de acusados do governo dos Estados Unidos por crimes transnacionais.
Como o Tren de Aragua se transformou em uma organização transnacional?
O Tren de Aragua surgiu no início dos anos 2010 no estado de Aragua, no norte da Venezuela, onde está localizada a prisão de Tocorón. Nos últimos anos, a facção se expandiu para outros países da América Latina, incluindo Colômbia, Chile e Peru, conforme reportagens do AFP e do UOL. A expansão do cartel está diretamente ligada ao fluxo migratório venezuelano. Em uma pesquisa de mestrado em Relações Internacionais na USP, a pesquisadora Maria Nilza Silva Oppermann afirma que a migração foi decisiva para transformar o Tren de Aragua de uma facção prisional em uma organização transnacional. O grupo passou a controlar rotas e trilhas fronteiriças, além de terminais de transporte, cobrando taxas, extorquindo migrantes e explorando mulheres por meio do tráfico de pessoas.
De que forma o Tren de Aragua atua no Brasil?
A facção foi identificada pela primeira vez em território brasileiro em 2019, no município de Pacaraima, em Roraima, na fronteira com a Venezuela. Desde então, consolidou presença em áreas indígenas e no sistema prisional local. A atuação se tornou mais estruturada a partir de 2022, com expansão para outros municípios do estado, incluindo a capital Boa Vista. De acordo com Oppermann, o Tren de Aragua opera como uma "rede de subcontratação criminosa", voltada ao tráfico varejista de drogas, à exploração sexual e ao contrabando de ouro. A estrutura descentralizada permite que o grupo se adapte a diferentes regiões e alianças locais.
Qual a relação do Tren de Aragua com o PCC e o Comando Vermelho?
O estudo Cartografia da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado em 2025, aponta que o Tren de Aragua atua na mesma região que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em Pacaraima, a facção venezuelana trabalha em conjunto com as organizações brasileiras, principalmente por meio da prestação de serviços. Esses serviços incluem segurança para o transporte de cocaína, fornecimento de armas e proteção de garimpeiros. Reportagem do UOL também identificou a presença do Sindicato do Crime na região. Especialistas e relatórios do Ministério Público de Roraima indicam que não há registros de confrontos diretos entre os grupos, prevalecendo uma relação de cooperação comercial.
O que a morte de Niño Guerrero representa para o crime organizado na América Latina?
Guerrero é acusado de chefiar operações violentas, controlar rotas de tráfico e utilizar armamento pesado para manter a influência do cartel. Sua execução ocorre em meio a uma crescente pressão internacional sobre o Tren de Aragua, cujos líderes são procurados pela Interpol e por autoridades de diversos países. O irmão de Guerrero, Jason Robert Guerrero Flores, também figura entre os chefes do grupo e foi preso na Espanha por crimes de terrorismo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A cooperação inédita entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela nessa operação sinaliza uma possível mudança na abordagem de combate ao crime organizado na região.
Perguntas Frequentes
Quem era Niño Guerrero?
Niño Guerrero, cujo nome verdadeiro é Héctor Rusthenford Guerrero Flores, era o fundador e principal líder do Tren de Aragua. Ele começou sua carreira criminosa na Penitenciária de Tocorón, na Venezuela, e era acusado pelos Estados Unidos de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
O que é o Tren de Aragua?
O Tren de Aragua é a maior facção criminosa da Venezuela, surgida no início dos anos 2010 no estado de Aragua. O grupo se expandiu para outros países da América Latina, como Colômbia, Chile e Peru, e passou a atuar no Brasil a partir de 2019, especialmente em Roraima.
Como o Tren de Aragua atua no Brasil?
A facção foi identificada em Pacaraima (RR) em 2019, com presença em áreas indígenas e no sistema prisional. A partir de 2022, expandiu-se para Boa Vista e outros municípios. O grupo atua no tráfico de drogas, exploração sexual e contrabando de ouro, muitas vezes em parceria com facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho.
