Forças de Defesa de Israel lançaram novos ataques contra a cidade histórica de Tiro, no sul do Líbano, na manhã desta terça-feira (9), e emitiram uma rara ordem de retirada para um bairro cristão da região. A medida, anunciada pelo porta-voz militar Avichay Adraee, justifica-se por supostas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah, segundo comunicado divulgado na rede social X. Pela primeira vez, a população de uma área cristã foi diretamente alertada para deixar suas casas, indicativo de que as operações israelenses podem se intensificar naquela localidade.
Ameaça ao bairro cristão e impactos humanitários
Avichay Adraee enviou um alerta urgente aos moradores de Tiro e arredores, incluindo o bairro cristão, afirmando que as Forças de Defesa de Israel são obrigadas a agir com força devido à violação do acordo de cessar-fogo pelo Hezbollah e seus ataques contra a população israelense. Essa não é a primeira vez que os militares israelenses acusam o grupo de operar na região, mas é a segunda ocasião em que afirmam precisar atacar a área. O alerta ocorre no mesmo dia em que a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) reportou novos bombardeios contra uma área de habitação social na cidade, enquanto equipes de resgate recuperavam mais um corpo entre os escombros — ainda há desaparecidos sob os destroços.
Vítimas e resgates em meio aos bombardeios
Na segunda-feira (9), autoridades libanesas informaram que cinco pessoas morreram e outras oito ficaram feridas em um ataque a Tiro. Os números elevam o custo humano de uma ofensiva que ocorre apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano. O Hezbollah, por sua vez, não assinou o acordo e o rejeitou enquanto as tropas israelenses permanecerem em solo libanês. Israel afirma que a retirada de Tiro, cidade costeira ao norte da zona ocupada por suas forças, é necessária devido às violações do grupo xiita.
Cessar-fogo com o Irã e nova escalada regional
Os ataques no sul do Líbano acontecem após Israel e Irã anunciarem uma trégua, depois de confrontos diretos entre domingo (7) e segunda-feira (8), após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que cessassem imediatamente os disparos. No entanto, Teerã afirmou que retomaria os ataques caso Israel continuasse a atingir o Hezbollah no Líbano. A onda de ataques iniciada no domingo representou o confronto mais direto entre os dois países desde o cessar-fogo de abril e ameaça comprometer os esforços de Washington para negociar com o Irã e encerrar a guerra que já dura mais de três meses.
Retaliação e alvos estratégicos
Israel atacou alvos iranianos depois que Teerã disparou mísseis contra seu território no final do domingo (7). Os iranianos afirmaram que seus ataques foram uma retaliação aos bombardeios israelenses contra redutos do Hezbollah nos arredores de Beirute. Um ataque israelense atingiu uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irã, que, segundo o país, era usada para produzir mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) disse que retaliou com um ataque contra uma fábrica israelense semelhante em Haifa.
Pressão americana e postura desafiadora
Em uma publicação na rede social X, Trump afirmou nesta segunda-feira (8) que Israel e Irã desejam "um cessar-fogo imediato" e que as negociações finais sobre a paz estão em andamento, "sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem". O presidente acrescentou que o bloqueio americano aos portos iranianos permaneceria em vigor até que um acordo final fosse alcançado. Um oficial israelense disse que Trump conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda na segunda-feira. Anteriormente, uma fonte militar israelense afirmou que o país estava preparado para continuar as operações "pelo tempo que for necessário" e confirmou ataques a sistemas de defesa aérea iranianos recém-reconstruídos, além do alvo petroquímico. Autoridades iranianas adotaram tom igualmente desafiador: uma fonte militar citada pela agência semi-oficial Tasnim disse que Teerã está pronta para um conflito prolongado e poderia retomar os ataques contra interesses americanos na região.
Significado da ordem de retirada em Tiro
A decisão de incluir o bairro cristão na ordem de evacuação marca uma escalada nas operações israelenses no sul do Líbano. Anteriormente, as ordens de retirada excluíam aquela área, mas agora as IDF afirmam que o Hezbollah está operando ali. A medida levanta questões sobre a eficácia do cessar-fogo e a possibilidade de novos confrontos. Enquanto isso, as equipes de resgate continuam buscando desaparecidos em Tiro, em meio a uma crise humanitária que se agrava com cada novo bombardeio.
