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Tecnologia

Com investimento de US$ 17 milhões, Google promete repor mais água que consome em data centers até 2030

Victória dos Santos de Sá
Com investimento de US$ 17 milhões, Google promete repor mais água que consome em data centers até 2030 PHOTO BY The Premise News

O Google anunciou, nesta quarta-feira (3), um plano de cinco etapas para reduzir o impacto ambiental do consumo de água em seus data centers, incluindo os que operam com inteligência artificial. A promessa mais ambiciosa é repor, até 2030, mais água do que a utilizada no resfriamento dessas instalações nos Estados Unidos. A empresa americana detalhou as medidas em comunicado oficial, que prevê ainda investimentos em projetos hídricos e mudanças nos sistemas de refrigeração. O anúncio ocorre em um momento de crescente atenção ao uso de recursos naturais por grandes tecnológicas.

As cinco frentes de ação do gigante de tecnologia

O plano é estruturado em cinco etapas, sendo a primeira a mais ousada: garantir que, dentro de quatro anos, o volume de água devolvido ao meio ambiente supere o consumido no resfriamento dos data centers — ao menos no território norte-americano. Para cumprir essa meta, a empresa afirma que ampliará o número de projetos voltados à gestão da água nas regiões onde seus centros de dados estão instalados e nas bacias hidrográficas vizinhas. Segundo o Google, essa expansão envolve um investimento de US$ 17 milhões, o equivalente a cerca de R$ 86,1 milhões na cotação atual. A quantia será direcionada a iniciativas que vão desde o reforço do abastecimento local até a detecção de vazamentos em tubulações, conforme explicou a companhia em nota.

Modernização de sistemas de abastecimento e tratamento

Outras etapas do plano incluem o apoio à modernização dos sistemas de abastecimento e tratamento de água nas cidades que abrigam os data centers. O Google menciona que os projetos abrangem desde o fortalecimento da infraestrutura hídrica local até tecnologias para identificar perdas na rede de distribuição. A empresa também se compromete a realizar uma análise mais detalhada das bacias hidrográficas antes de instalar novos centros de dados. Se o uso de água representar risco ao meio ambiente ou ao abastecimento da comunidade, a companhia passará a adotar resfriamento a ar ou sistemas que utilizam água de reuso, conforme o documento divulgado.

Por que a inteligência artificial exige mais água

Operar um data center demanda uma estrutura energética complexa para manter todos os equipamentos em funcionamento 24 horas por dia, incluindo sistemas de refrigeração. O treinamento dos modelos de inteligência artificial mais conhecidos envolve um enorme volume de dados e só pode ser realizado com chips de processamento modernos, que consomem mais energia e, consequentemente, geram mais calor. Com equipamentos mais quentes, a única maneira de controlar a temperatura é adotar um sistema de resfriamento líquido, por água ou óleo — ao contrário dos data centers de nuvem, que podem ser refrigerados a ar por consumirem menos energia. Um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside, aponta que fazer até 50 perguntas ao ChatGPT pode consumir meio litro de água, o que ilustra a magnitude do problema.

Brasil registra 180 data centers, mas nenhum dedicado à IA

No Brasil, existem atualmente cerca de 180 data centers em funcionamento, mas nenhum deles é voltado para inteligência artificial. Contudo, quatro projetos desse tipo já foram anunciados no país, e eles poderão ter um consumo de energia equivalente ao de 16,4 milhões de residências. A expansão da IA no país tende a pressionar ainda mais os recursos hídricos, especialmente se os novos centros adotarem refrigeração líquida. O plano do Google não menciona metas específicas para fora dos Estados Unidos, mas sinaliza uma tendência global de maior responsabilidade ambiental.

A iniciativa da gigante tecnológica reflete uma pressão crescente sobre o setor para mitigar os impactos ambientais do avanço da inteligência artificial. Com a promessa de devolver mais água do que consome, o Google tenta se antecipar a críticas e regulamentações mais rígidas. A meta de 2030, porém, está limitada aos Estados Unidos, e detalhes sobre a implementação em outros países ainda não foram divulgados. O sucesso do plano dependerá da capacidade da empresa de escalar os projetos hídricos e de adaptar sua infraestrutura global.

Nossa análise — The Premise News: O anúncio do Google representa um passo concreto, mas limitado, na direção da sustentabilidade hídrica no setor de tecnologia. A promessa de repor mais água do que consome até 2030 nos Estados Unidos é ambiciosa, mas deixa em aberto o que acontecerá nas demais regiões onde a empresa opera. O ponto central é que o consumo de água para resfriamento de data centers de IA tende a crescer exponencialmente, e iniciativas como esta podem se tornar insuficientes se não forem acompanhadas de mudanças mais profundas no design dos centros. O investimento de US$ 17 milhões, embora significativo, é modesto diante do porte da companhia e do desafio global. O que está em jogo é a capacidade de conciliar a expansão da inteligência artificial com a preservação de recursos hídricos essenciais. A contradição entre o avanço tecnológico e o impacto ambiental fica evidente: para treinar modelos cada vez mais poderosos, é preciso consumir mais água e energia. Nos próximos meses, os olhos estarão voltados para a implementação dos projetos nos EUA e para possíveis desdobramentos em países como o Brasil, onde quatro data centers de IA já foram anunciados. No fim, o plano do Google pode ser visto como um movimento estratégico para responder a críticas, mas sua real eficácia dependerá da transparência e da fiscalização dos resultados.

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