Preparativos para uma evacuação emergencial foram ordenados pela Nasa aos quatro astronautas da missão Crew-12 a bordo da Estação Espacial Internacional. A decisão, comunicada nesta sexta-feira, decorre do aumento significativo da perda de ar no módulo russo Zvezda, uma estrutura central do laboratório orbital. Segundo a agência norte-americana, os tripulantes foram instruídos a abrigar-se na cápsula Crew Dragon e vestir os trajes espaciais, caso o vazamento torne necessária uma retirada de urgência. O alerta representa o mais grave incidente de segurança na estação nos últimos meses.
Aumento na perda de ar e alerta da Nasa
O vazamento, que vinha sendo considerado pequeno, agravou-se na segunda-feira. Um alto funcionário da Nasa, falando sob anonimato, revelou que a taxa de perda de ar duplicou: passou de aproximadamente 0,45 kg por dia para cerca de 0,9 kg diários. Já na segunda-feira, às 9h04 (horário da Costa Leste dos EUA), o centro de controlo da agência havia orientado os astronautas a entrar na Crew Dragon e preparar-se para uma evacuação. A ordem foi mantida e reforçada nos dias seguintes, indicando a gravidade da situação. A comunidade espacial internacional acompanha com apreensão a evolução do problema.
Roscosmos confirma dois vazamentos e realiza reparos
A agência espacial russa Roscosmos informou que detectou dois pontos de fuga no módulo Zvezda, parte do segmento russo da ISS. Em comunicado divulgado nesta sexta, a Roscosmos afirmou que o primeiro vazamento já foi corrigido com a aplicação de um composto hermético. O segundo, localizado na parte cónica do compartimento de transição, ainda está a ser vedado. Apesar do agravamento, a agência russa declarou que a situação não representa ameaça imediata à tripulação e que a pressão interna se mantém estável. Contudo, a Nasa parece não partilhar da mesma avaliação, dado o alerta preventivo emitido.
Missão Crew-12 em alerta máximo
A Crew-12 é a 12.ª missão operacional de rotação de tripulação realizada pela SpaceX para a ISS, integrada no Programa Comercial de Tripulação da Nasa. Lançada em fevereiro de 2026, a missão tem previsão de permanência de aproximadamente nove meses no espaço. Os quatro tripulantes são os astronautas norte-americanos Jessica Meir e Jack Hathaway, a astronauta francesa Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia, e o cosmonauta russo Andrey Fedyaev, da Roscosmos. Foram estes profissionais que receberam o alerta para evacuação e que agora se encontram abrigados na cápsula Crew Dragon, o veículo de escape designado. A tripulação mantém-se em estado de prontidão, pronta para abandonar a estação se necessário.
Procedimento preventivo e papel da Crew Dragon
Como medida preventiva, os astronautas foram orientados a vestir os trajes espaciais e permanecer próximos à cápsula Crew Dragon, que está acoplada à estação. A espaçonave, desenvolvida pela SpaceX, é o principal veículo utilizado pela Nasa para transporte de tripulantes e funciona também como bote salva-vidas em emergências. Projetada para operar com alto grau de automação, a cápsula pode transportar até sete pessoas e realiza acoplamento e retorno de forma autónoma. Em caso de necessidade, a Crew Dragon pode desacoplar-se rapidamente e trazer a tripulação de volta à Terra. Este procedimento, embora preventivo, sublinha a seriedade com que a Nasa encara o agravamento do vazamento.
Estação Espacial Internacional: estrutura e cooperação
A ISS orbita a Terra a cerca de 400 quilómetros de altitude e é considerada a maior estrutura já construída pelo ser humano no espaço. Habitada continuamente desde o ano 2000, a estação é resultado de uma parceria internacional que reúne Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e países da Europa. O módulo Zvezda, onde os vazamentos foram detectados, é uma estrutura fundamental do complexo, que tem dimensões comparáveis às de um campo de futebol. A estação completa aproximadamente 16 voltas ao redor da Terra por dia e pode abrigar até sete tripulantes em missões de longa duração. Este incidente coloca em evidência os desafios de manter operacional uma infraestrutura envelhecida e dependente de cooperação entre potências.
O episódio sublinha os desafios técnicos e políticos de manter uma infraestrutura orbital envelhecida. A confiança entre as agências espacial norte-americana e russa é posta à prova num momento crítico. A duplicação da taxa de perda de ar em apenas alguns dias levanta questões sobre a integridade do módulo Zvezda. Os reparos em curso, embora promissores, ainda não garantiram a estanquidade total. A comunidade científica aguarda com expectativa os próximos relatórios de ambas as agências.
