O Bitcoin desvalorizou 30% em 2026, numa tendência que se acentua com a saída recorde de 3,4 mil milhões de dólares dos ETFs norte-americanos. O ativo digital era negociado a 337,6 mil reais no Brasil na terça-feira, 2 de junho, o que representa um recuo de 43% face ao ano anterior. O valor de mercado da principal criptomoeda situa-se agora em 1,28 biliões de dólares, segundo o CoinMarketCap. A pressão vendedora não dá sinais de trégua.
Fuga de capital institucional atinge níveis históricos
Uma das principais causas do desempenho negativo está na saída bilionária de investidores dos fundos de índice que expõem ao Bitcoin. Nos Estados Unidos, os ETFs que contemplam a criptomoeda registaram 3,4 mil milhões de dólares em resgates nas últimas semanas. Este movimento já dura 11 dias consecutivos de baixa na cotação dos indicadores, um fenómeno que tem chamado a atenção de analistas e investidores. A fuga de capital sinaliza um forte desinteresse momentâneo pelo ativo digital por parte do mercado institucional.
Pressão macroeconómica e geopolítica pesa sobre o ativo
No campo macroeconómico, o Bitcoin enfrenta ventos contrários adicionais. Vários bancos centrais ao redor do mundo enxergam um recuo mais tímido nas taxas de juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A guerra no Irã é apontada como um fator prejudicial para a inflação dos países, o que dificulta cortes de juros mais agressivos. Juros elevados tendem a reduzir o apetite por ativos de risco, como as criptomoedas, pressionando ainda mais as cotações.
Tesourarias corporativas juntam-se à venda de Bitcoin
Outro fator que pesa contra o BTC é o movimento de venda por empresas classificadas como Bitcoin Treasuries. A Strategy, por exemplo, informou ao mercado que se desfez de 32 unidades do ativo digital, operação que lhe rendeu 2,5 milhões de dólares. Esse tipo de desinvestimento por parte de companhias que detêm grandes volumes de Bitcoin adiciona oferta ao mercado e contribui para a pressão vendedora. A venda de uma das maiores detentoras corporativas sinaliza cautela entre os players institucionais.
Ethereum e CoinDesk 20 afundam com o Bitcoin
A desvalorização do Bitcoin afeta diretamente outras criptomoedas importantes. O Ethereum retornou ao mesmo patamar de cinco anos atrás, evidenciando a profundidade da correção no setor. O índice CoinDesk 20, que reúne as 20 maiores criptomoedas do mundo, recua 34% desde janeiro e opera hoje em 1.882 pontos. Para a maioria dos ativos digitais, o cenário é de forte estresse, com poucas exceções no mercado.
Hyperliquid destoa como exceção no mercado em baixa
Uma das raras exceções no índice CoinDesk 20 é a Hyperliquid, que consegue registar um ganho expressivo de 183% no ano. Joshua Lim, chefe global de mercados da FalconX, explicou em entrevista que, para ativos como o HYPE, onde há um consenso amplo de que é um ativo alocável, existe enorme liquidez. "Não é difícil negociá-lo", afirmou. Segundo Lim, o HYPE provavelmente, em alguns dias, será mais líquido para a FalconX do que o próprio Ethereum.
O movimento de baixa generalizada levanta sérios questionamentos sobre o futuro próximo do Bitcoin. As criptomoedas como classe de ativos enfrentam um teste de resiliência. O mercado procura um piso para a maior criptomoeda, num contexto de saídas contínuas de ETFs, juros elevados e vendas por tesourarias. A volatilidade, porém, continua a ser a marca registada do setor.
