As entregas por drones do iFood já estão em operação no estado de São Paulo, num trajeto que une o shopping Iguatemi Alphaville a condomínios de Barueri. O serviço, iniciado na última segunda-feira, dia 1 de junho de 2026, funciona diariamente das 10h30 às 22h30, representando a segunda rota aérea comercial da plataforma no Brasil. A iniciativa surge como resposta directa à elevada taxa de recusa de pedidos na região — que ronda os 50% — motivada pelas dificuldades de acesso e pelo longo tempo de espera nas portarias dos residenciais. A empresa obteve autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para realizar as operações.
Recusas de quase metade dos pedidos motivam inovação
Quase metade dos pedidos feitos na região de Barueri são recusados pelos entregadores, revela a empresa. As causas apontadas são a dificuldade de acesso aos condomínios e o tempo de espera nas portarias — factores que desincentivam os parceiros a aceitar as corridas. Com o drone, a expectativa é eliminar esses entraves, já que a fase aérea contorna as filas e a burocracia das entradas. A operação aérea elimina a necessidade de o entregador enfrentar filas e burocracias nas entradas dos residenciais, o que pode transformar a dinâmica local. A companhia acredita que a redução das recusas tornará o serviço mais eficiente e atractivo tanto para clientes como para entregadores.
Logística em três etapas: do robô ao drone ao entregador
O processo de entrega desenrola-se em três fases bem definidas. Primeiro, um mensageiro ou um robô da iFood recolhe o pedido no restaurante e coloca a embalagem no drone. Em seguida, o equipamento percorre 3,6 quilómetros em cerca de cinco minutos, aterrando numa área designada dentro do condomínio. Finalmente, um entregador parceiro realiza a última milha, levando o produto até à porta do cliente. A empresa assegura que toda a operação respeita as normas da Anac e do Decea.
Segunda rota após experiência pioneira em Sergipe
A nova rota paulista é a segunda do iFood com drones. A primeira foi implantada em 2021, no estado de Sergipe, ligando Aracaju a Barra dos Coqueiros, onde já foram realizados mais de 5 mil pedidos. Naquela rota terrestre original, a distância era de 36 quilómetros, mas o drone reduz o percurso para menos de 4 quilómetros. A experiência nordestina serviu de base para a expansão para São Paulo, demonstrando a viabilidade técnica e operacional do modelo. A empresa não revelou prazos para novas expansões, mas adiantou que o modelo pode ser replicado noutras regiões.
Autorização regulatória e desafios operacionais
As operações com drones do iFood são regulamentadas pela Anac e pelo Decea, que emitiram as devidas autorizações. A empresa não detalhou quais tipos específicos de licenças foram obtidas, mas sublinhou que cumpre todas as normas vigentes. A segurança das entregas e a integração com o tráfego aéreo são aspectos críticos para a continuidade do serviço. Até ao momento, não foram reportados incidentes em nenhuma das duas rotas. A companhia afirma que o modelo pode ser expandido, mas não forneceu prazos ou locais concretos.
Impacto na eficiência e na experiência do cliente
A redução das recusas pode melhorar a experiência do cliente, que passa a ter menos cancelamentos e maior previsibilidade. Para os entregadores, a menor rejeição significa mais oportunidades de ganho. O uso de drones também acelera o trecho entre o restaurante e o condomínio, encurtando o tempo total de entrega. O iFood não divulgou dados sobre o tempo médio de entrega na nova rota, mas a distância de 3,6 km é percorrida em cinco minutos de voo. A combinação de robôs, drones e entregadores humanos mostra a aposta da empresa em soluções multimodais.
