A Meta anunciou esta segunda-feira, 8 de junho, que detetou uma nova campanha de ataques direcionados a utilizadores do WhatsApp, orquestrada pela NSO Group, empresa israelita fabricante do spyware Pegasus. A gigante tecnológica já tinha obtido uma liminar que proibia a companhia de realizar ataques na aplicação de mensagens. Agora, a big tech solicita ao tribunal dos Estados Unidos que a declare em desacato por violar a ordem judicial. O caso reacende o debate sobre os limites do uso de software de vigilância e a eficácia das decisões judiciais contra empresas que operam globalmente.
Histórico de litígios entre Meta e NSO Group
A disputa entre a Meta e a NSO Group remonta a 2019, quando a primeira instaurou um processo acusando a empresa de utilizar o WhatsApp para invadir dispositivos de jornalistas, ativistas de direitos humanos, dissidentes políticos e outras figuras públicas. No ano passado, um júri concedeu à Meta uma indemnização de 167 milhões de dólares, valor posteriormente reduzido para 4 milhões de dólares. Além disso, o tribunal impôs uma proibição permanente para que a NSO Group utilizasse o WhatsApp nas suas operações. Apesar das sanções, a Meta alega que a fabricante do Pegasus ignora as restrições legais e continua a visar utilizadores da aplicação.
Nova campanha de phishing visa utilizadores na Jordânia e no Líbano
Num comunicado oficial, a Meta informou que identificou um conjunto de contas associadas à NSO Group a executar uma operação semelhante a outras de phishing já atribuídas à empresa. Um porta-voz da big tech revelou que o ataque teve como alvo menos de dez utilizadores, localizados principalmente na Jordânia e no Líbano. Até ao momento, não há evidências de que os alvos tenham sido comprometidos. A nova ofensiva envolvia contas vinculadas à fabricante do spyware que tentavam induzir as vítimas a clicar em links maliciosos.
Silêncio da NSO Group e próximos passos legais
A NSO Group ainda não se pronunciou sobre as acusações. A Meta espera que a Justiça americana considere a nova investida como uma violação clara da liminar vigente. O caso reacende o debate sobre os limites do uso de spyware e a eficácia das decisões judiciais contra empresas de vigilância que atuam globalmente. A fabricante do Pegasus enfrenta crescentes questionamentos sobre a sua responsabilidade na proteção de dados e na privacidade de utilizadores ao redor do mundo.
A Meta reforçou o seu compromisso de barrar qualquer tentativa de invasão ao WhatsApp, aplicação que conta com mais de dois mil milhões de utilizadores em todo o mundo. A empresa sublinha que continuará a tomar medidas legais contra a NSO Group para proteger os seus utilizadores. A nova campanha de ataques, embora limitada a menos de dez pessoas, levanta questões sobre a capacidade da fabricante do Pegasus operar à margem das ordens judiciais. O silêncio da NSO Group até ao momento não contribui para dissipar as dúvidas sobre a sua conduta.
O litígio entre a Meta e a empresa israelita expõe uma fragilidade no combate a ameaças digitais transnacionais. Apesar das sanções e da liminar em vigor, a NSO Group parece continuar a operar sem ser dissuadida. O tribunal americano terá agora de decidir se declara a empresa em desacato, uma medida que pode estabelecer precedentes importantes. Enquanto isso, o debate sobre os limites do uso de software de vigilância contra dissidentes e jornalistas ganha novos contornos com esta denúncia.
