Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, enganou uma família em Joinville por 14 meses ao se passar por uma criança de 12 anos, conforme revelou a Polícia Civil de Santa Catarina. A suspeita, que se identificava como Gabriele, chegou a receber tratamento com o medicamento Mounjaro e teve uma festa de aniversário organizada pelo casal que a acolheu. O delegado Rodrigo Bueno Gusso detalhou que as vítimas bancaram essas despesas, acreditando na falsa identidade. Amanda teve a prisão em flagrante convertida em preventiva na quarta-feira, 3 de junho, e agora responde por estelionato e falsa identidade.
Acolhimento e benefícios concedidos pela família
Segundo o delegado, Amanda conviveu com a família por 14 meses e se apresentava como Gabriele. Inicialmente, ela disse ter 18 anos e buscava emprego em panificação, mas com o tempo passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras. O casal, sensibilizado, permitiu que ela morasse com eles. Após conquistar a confiança, a mulher mudou sua versão, afirmando ter 11 anos e alegando ter sido vítima de abusos. Acreditando na vulnerabilidade infantil, os "pais adotivos" chegaram a organizar uma festa de 12 anos para a suposta menina. Além disso, pagaram um tratamento com o injetável Mounjaro, composto por tirzepatida, para obesidade.
Manipulação e isolamento da suposta criança
A investigada conseguiu convencer a família de que não podia frequentar a escola, sob o argumento de que o "pai abusador" a encontraria. O delegado afirmou que ela "conseguiu sequestrar emocionalmente a família", que possuía boa situação financeira. Durante o período, Amanda não recebia dinheiro diretamente, mas usufruía de tudo "que havia de bom e do melhor", segundo Gusso. Ela também fingia comportamento infantil e dizia ter autismo para reforçar a farsa.
Descoberta do golpe e reincidência criminal
O casal só procurou a polícia na semana passada, após uma tia da família suspeitar da história. A parente, que não convivia diariamente com a suposta adolescente, pesquisou na internet e encontrou um caso semelhante no Rio de Janeiro, com o mesmo modus operandi. Ao relatar a descoberta ao pai adotivo, a denúncia levou à investigação. A Polícia Civil de Santa Catarina descobriu então que Amanda Maria é reincidente nesse tipo de golpe, com registros em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Registro criminal em múltiplos estados
Os antecedentes indicam que a suspeita atuava de forma similar em outras regiões do país. O delegado não detalhou as datas ou circunstâncias precisas desses registros, mas confirmou que há ocorrências em pelo menos cinco estados. Essa reincidência levanta questionamentos sobre como a mulher conseguiu enganar novas vítimas mesmo com histórico anterior. A investigação em Joinville busca agora esclarecer se houve conexão com esses outros casos.
Procedimentos legais e defesa
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante audiência de custódia na quarta-feira. O advogado Rafael Luiz Siewert, nomeado defensor dativo, informou que a defesa solicitou exame de sanidade mental para Amanda. O pedido foi aceito pelo Juízo, que determinou perícia oficial para avaliar sua condição psíquica. Enquanto aguarda o resultado, a investigada permanece sob custódia à disposição da Justiça.
Declaração do defensor dativo
Em nota, Siewert afirmou que, após análise dos autos e entrevista com a custodiada, identificou elementos que justificaram o pedido de perícia. O requerimento foi acolhido e a realização do exame técnico pode contribuir para o esclarecimento das circunstâncias do caso. A defesa aguarda a conclusão da perícia para adotar as medidas processuais cabíveis. O advogado destacou que a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da prisão preventiva.
