A Airbus concluiu, na última terça-feira (2 de junho), o primeiro voo de teste do A350-1000ULR, o avião comercial com o maior alcance já projetado. A aeronave decolou de Toulouse, na França, onde também pousou após uma viagem inicial de três horas e 43 minutos, atingindo 12,5 quilômetros de altitude. O modelo foi desenvolvido para voar por até 22 horas consecutivas sem escalas, o que viabilizará conexões diretas inéditas entre Sydney, na Austrália, e cidades como Londres, no Reino Unido, e Nova York, nos Estados Unidos. O voo inaugural representa um marco na aviação comercial, abrindo caminho para uma nova era de ultra longas distâncias.
Os detalhes técnicos por trás da autonomia recorde
Para alcançar uma autonomia impressionante de 17.964 quilômetros, a engenharia do A350-1000ULR incluiu um tanque adicional de 20 mil litros de combustível na parte central traseira da aeronave, conhecido pela sigla RCT. Essa modificação estrutural amplia o alcance do modelo padrão em cerca de 1.852 quilômetros, eliminando a necessidade de escalas em aeroportos que frequentemente atrasam as viagens em até quatro horas. Durante o voo de teste, conforme informou a Airbus em comunicado, a tripulação fez verificações gerais de desempenho e testou a nova arquitetura do sistema de combustível. Esse voo inaugural marca o início de uma campanha de testes que durará dois meses, dedicada a certificar todas as modificações implementadas.
Modificações estruturais e sistemas mais leves
Além do combustível extra, o projeto substituiu os sistemas convencionais por uma infraestrutura de refrigeração de cozinha mais leve e eficiente, focada na redução de odores e do consumo de energia em viagens extremamente longas. A Airbus incorporou diversos ajustes na cabine de passageiros, incluindo novos mecanismos de ventilação e controle de temperatura interna. Essas alterações serão validadas durante os próximos dois meses de avaliações práticas. A aeronave MSN 707, utilizada no teste, é a primeira de uma encomenda de 12 unidades feita pela Qantas para o chamado Projeto Sunrise.
Conforto a bordo para voos de quase um dia inteiro
Para priorizar o conforto dos passageiros durante quase 24 horas de viagem, a Qantas optou por reduzir a capacidade interna do A350-1000ULR para 238 assentos, enquanto a versão convencional do modelo comporta cerca de 300 lugares. A divisão interna contará com seis suítes privativas na primeira classe, equipadas com cama e guarda-roupa, além de 52 poltronas na classe executiva com divisórias e carregador sem fio. Haverá ainda 40 assentos na econômica premium e 140 na classe econômica tradicional, todos com acesso à internet Wi-Fi. A estrutura final do avião também trará uma zona de bem-estar voltada para alongamento e hidratação dos viajantes.
Projeto Sunrise: o nome que explica o fenômeno
A operação foi batizada como Projeto Sunrise porque o fuso horário cruzado fará com que os passageiros vejam o nascer do sol duas vezes ao longo do trajeto. Para minimizar os impactos físicos do jet lag, a Qantas desenvolveu um cronograma de alimentação e iluminação dinâmica em parceria com especialistas em sono. A primeira entrega à companhia aérea australiana está marcada para abril de 2027, e será feita com o segundo avião produzido do lote. O cronograma original sofreu adiamentos, mas a fabricante europeia segue com os planos de certificação e produção.
