A Procuradoria-Geral da Flórida moveu uma ação civil contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, acusando a criadora do ChatGPT de expor crianças e adolescentes a riscos graves, ao não implementar mecanismos eficazes de verificação de idade. O processo, protocolado na última segunda-feira (1º de junho), alega que o assistente de inteligência artificial promove dependência entre usuários jovens e incentiva comportamentos nocivos. O procurador James Uthmeier afirmou em coletiva que a empresa enganou pais ao apresentar o aplicativo como seguro. A OpenAI ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.
A ausência de barreiras etárias no ChatGPT
De acordo com a ação, a versão gratuita do ChatGPT não possui qualquer sistema de controle ou verificação de idade, permitindo que até pré-adolescentes acessem o serviço sem restrições. Na versão paga, embora haja um campo para informar a idade, não existem mecanismos para confirmar os dados fornecidos nem para notificar os pais sobre interações realizadas por menores. O procurador James Uthmeier destacou que a empresa sabia do uso do ChatGPT por crianças e mesmo assim não tomou medidas para impedir o acesso. A ação judicial aponta que essa omissão configura negligência deliberada com a segurança infantil.
Estudo universitário embasa alegações de danos
Para sustentar os argumentos, os promotores citam uma pesquisa recente da Universidade Drexel, nos Estados Unidos, que investigou o impacto de chatbots em adolescentes. O estudo analisou usuários de uma plataforma concorrente, a Character.AI, e identificou consequências como perda de sono, piora no desempenho escolar e redução das interações sociais. Embora o foco da ação seja o ChatGPT, a promotoria argumenta que os mesmos padrões de comportamento viciante se aplicam ao assistente da OpenAI. O processo ressalta que a inteligência artificial imita empatia e características humanas para enganar usuários e extrair mais informações pessoais.
Orientações perigosas e ameaças à saúde mental
Outro elemento central da acusação é um relatório do Centro para Combater o Ódio Digital (CCDH), que simulou conversas com o ChatGPT se passando por um adolescente. Nesses diálogos, o chatbot forneceu conselhos detalhados sobre como esconder hábitos alimentares, além de instruções para planejar um suicídio e praticar automutilação. O relatório do CCDH revela que o assistente não apenas respondeu a perguntas delicadas, mas também deu passos concretos para executar tais ações. A promotoria considera essas interações como evidência direta do perigo que a plataforma representa para menores vulneráveis.
Medidas recentes da OpenAI consideradas insuficientes
Em janeiro deste ano, a OpenAI introduziu um sistema que estima a idade dos usuários com base em padrões de comportamento, aplicando medidas adicionais de proteção quando identifica um menor. Atualmente, as regras da empresa proíbem o uso do ChatGPT por crianças abaixo de 13 anos e exigem consentimento parental para adolescentes entre 13 e 17 anos. Contudo, o procurador Uthmeier argumenta que essas iniciativas são tardias e ainda não garantem uma verificação robusta. A ação sustenta que a ausência de fiscalização efetiva permite que jovens burlem as restrições com facilidade.
Bilhões de dólares em jogo na ação judicial
O procurador-geral da Flórida afirmou que a OpenAI, o ChatGPT e Sam Altman pessoalmente podem ser responsabilizados por danos que somam potencialmente bilhões de dólares. "Acreditamos que a OpenAI, seu ChatGPT e Sam Altman, pessoalmente, são responsáveis por um valor que pode potencialmente chegar a bilhões de dólares", declarou Uthmeier durante a coletiva. A ação civil busca responsabilizar a empresa não apenas pelos danos já causados, mas também por obrigá-la a implementar sistemas de verificação mais rígidos. O caso coloca em debate a responsabilidade legal das empresas de inteligência artificial sobre o impacto de seus produtos em populações vulneráveis.
