A Apple prepara o relançamento da Siri com inteligência artificial na WWDC 2026, conferência que começa nesta segunda-feira (8). A empresa busca recuperar o terreno perdido no segmento de IA após anos de atrasos e promessas não cumpridas do Apple Intelligence. A assistente virtual, que teve uma versão aprimorada anunciada originalmente em 2024, ainda não chegou aos consumidores conforme o planejado. Agora, a companhia tenta reposicionar sua estratégia com o auxílio do Gemini, sistema do Google.
Atrasos e consequências judiciais
A reformulação da Siri foi apresentada pela primeira vez durante a WWDC 2024, com novo visual, opções adicionais de voz e integração com o ChatGPT. Contudo, os recursos avançados de inteligência artificial prometidos como futuras atualizações não chegaram ao mercado no prazo esperado. Essa situação gerou repercussões negativas para a fabricante do iPhone, culminando em um acordo para encerrar uma ação coletiva relacionada à divulgação de funcionalidades que acabaram não sendo disponibilizadas. O caso expôs a fragilidade das promessas feitas pela empresa no campo da IA.
O acordo que encerrou a ação coletiva
O litígio envolvia consumidores que alegaram ter sido induzidos a erro com anúncios de recursos do Apple Intelligence que nunca se concretizaram. A Apple optou por um acordo extrajudicial para pôr fim à disputa, evitando um julgamento público. Embora os termos financeiros não tenham sido divulgados, o episódio manchou a imagem da marca, conhecida por sua confiabilidade. Para a empresa, a WWDC 2026 surge como uma oportunidade de virar essa página.
Parceria com o Google como diferencial
A próxima geração da Siri deverá utilizar o Gemini, sistema de IA do Google, de alguma forma. Essa parceria coloca a Apple em uma posição diferente da de outras gigantes que investem diretamente na construção de grandes infraestruturas para inteligência artificial. Enquanto concorrentes como o próprio Google já oferecem recursos mais sofisticados de automação e assistência, a Apple aposta na colaboração externa para acelerar sua oferta. A decisão também reflete uma estratégia pragmática diante dos atrasos internos.
Vantagens de imagem para a Apple
Essa abordagem pode trazer benefícios de percepção pública para a companhia de Cupertino. Enquanto empresas de tecnologia enfrentam críticas relacionadas à expansão de grandes centros de dados, a Apple permaneceria mais distante dessas discussões, mesmo que mantenha acordos comerciais com o Google. O movimento permite à marca focar em seu diferencial histórico: a integração fluida entre hardware e software. Ainda assim, a dependência de um rival levanta questões sobre o controle da experiência do usuário.
Privacidade e nova presença no ecossistema
Outro tema que deve receber atenção durante a WWDC é a privacidade dos usuários. A expectativa é que a Apple volte a destacar o Private Cloud Compute, tecnologia apresentada como uma forma de processar informações mantendo um nível de segurança semelhante ao dos dados armazenados diretamente no dispositivo. Também existe a possibilidade de a Siri ganhar opções para apagar automaticamente conversas após determinado período, em vez de manter essas informações armazenadas por padrão. Esse movimento reforçaria o discurso da empresa de colocar o usuário no controle de seus dados.
Segundo informações da Bloomberg, a nova Siri deverá estar presente em mais áreas do ecossistema da Apple. Entre os possíveis locais citados estão a Dynamic Island, o aplicativo Fotos e até mesmo um aplicativo dedicado para a assistente. Caso isso se confirme, a Siri deixaria de atuar principalmente como uma ferramenta voltada para tarefas simples, como configurar alarmes e temporizadores, passando a ocupar uma posição mais central na experiência dos usuários. A ampliação da presença da assistente indica uma mudança de paradigma dentro da empresa.
