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Trump condiciona libertação de ativos iranianos a acordo e ameaça ação brutal

Victória dos Santos de Sá
Trump condiciona libertação de ativos iranianos a acordo e ameaça ação brutal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não irá descongelar os ativos iranianos mantidos no exterior antes de um acordo com Teerã, em entrevista à rede norte-americana NBC transmitida neste domingo. O republicano foi taxativo ao responder se estaria disposto a libertar esses fundos ou suspender sanções como parte de um possível entendimento. "Não", disse, numa conversa gravada na sexta-feira. "Isso virá depois. Se eles agirem corretamente, se fizerem um bom trabalho", acrescentou. A declaração ocorre em meio a negociações delicadas, nas quais o Irã exige precisamente o descongelamento desses montantes bloqueados por sanções dos EUA.

Condições rígidas para o diálogo

Trump deixou claro que qualquer alívio financeiro dependerá do comportamento iraniano após a assinatura de um eventual acordo. Ele condicionou a libertação dos ativos a uma avaliação posterior de Teerã, repetindo a fórmula "se eles agirem corretamente, se fizerem um bom trabalho". Enquanto isso, segundo uma fonte próxima às negociações citada pela NBC, o Departamento do Tesouro dos EUA considera uma possibilidade alternativa: usar esses mesmos recursos para compensar países do Golfo pelos danos causados por ataques iranianos. Esse movimento revela a complexidade das tratativas, nas quais o dinheiro congelado se tornou uma peça estratégica central.

Compensação aos países do Golfo em cima da mesa

Esta alternativa do Tesouro americano, caso avance, poderia redefinir as alianças regionais e pressionar Teerã de forma indireta. Ao desviar os fundos para compensar parceiros do Golfo, Washington sinaliza que não está disposto a ceder à exigência iraniana sem contrapartidas concretas. O próprio Trump, na entrevista, reiterou que os ativos só serão libertados após a concretização de um entendimento. A estratégia parece desenhada para manter a pressão máxima sobre o regime iraniano, enquanto se explora a via diplomática com uma mão e a ameaça militar com a outra.

Destino do urânio enriquecido em debate

O presidente norte-americano também abordou o destino do urânio enriquecido iraniano, um dos pontos mais espinhosos nas conversas. Afirmou saber a localização exata desse material e disse que quer recuperá-lo de uma forma ou de outra, embora se tenha mantido vago quanto ao envio de tropas para essa missão. "Se chegarmos a um acordo, agora que estamos em bons termos, agiremos juntos. Será nosso material. Vamos removê-lo e destruí-lo, esteja lá ou em outro lugar", declarou durante o programa Meet the Press, da NBC News. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, admitiu esta semana que a questão do urânio está "claramente sendo abordada" nas negociações, mas reconheceu que Teerã ainda não deu a sua aprovação.

Ameaça de ação militar sem precedentes

Trump não descartou uma ofensiva armada caso as conversas fracassem. "Se não chegarmos a um acordo, vamos neutralizá-los militarmente de uma forma muito brutal", advertiu. Acrescentou que vai esperar até tomar essa decisão antes de agir, mas garantiu: "De qualquer forma, estaremos seguros". O líder americano disse ainda que quer manter as tropas dos EUA posicionadas na região até que as negociações sejam "concluídas". "Não as considero em perigo", afirmou. Apesar de um cessar-fogo frágil, as hostilidades foram retomadas nos últimos dias, particularmente em torno do Estreito de Ormuz, via navegável estratégica para hidrocarbonetos controlada por Teerã.

Nova liderança iraniana vista como 'mais racional'

O presidente americano avaliou positivamente a nova cúpula do Irã. Considera a liderança de Mojtaba Khamenei, que sucedeu o pai Ali Khamenei, "mais racional e muito inteligente". Trump afirmou que o filho do antigo líder supremo está envolvido no processo de aprovação de um acordo de paz e disse estar aberto a conversas diretas com ele. "Eu faria isso se ele quisesse", declarou, acrescentando que ainda não falou diretamente com o novo líder. "Mais jovem. Acho que é mais racional", comparou. Questionado se sabe a localização exata de Mojtaba, o presidente recusou-se a responder diretamente: "Há uma boa chance de que eu saiba", disse.

Os dois lados estão "muito perto" de assinar um acordo, segundo Trump, que pressiona o Irã a ir além no abandono das suas ambições nucleares. O destino do urânio enriquecido continua a ser um dos entraves mais difíceis para encerrar a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Entretanto, Trump mantém a posição de que os ativos iranianos só serão libertados após a concretização de um entendimento. "Iremos com eles ou sem eles. Mas não toleraremos ser alvejados", resumiu o presidente, deixando claro que a pressão máxima se mantém até ao fim das negociações.

A nossa análise — The Premise News: Esta declaração de Trump marca uma linha dura que pode tanto acelerar as negociações quanto inviabilizá-las. O que está em jogo não é apenas o programa nuclear iraniano, mas também o equilíbrio de poder no Golfo e a segurança de rotas marítimas vitais. A recusa em descongelar ativos antes de um acordo revela uma aposta maximalista, que contrasta com a disposição de cooperar na destruição do urânio. Essa tensão entre condições prévias e cooperação futura define o momento. Os leitores devem observar se Teerã aceitará a proposta de usar os seus próprios fundos para compensar países do Golfo — um movimento que poderia redefinir alianças regionais. Acima de tudo, a possibilidade de uma ação militar "brutal" permanece sobre a mesa, tornando as próximas semanas cruciais para evitar uma escalada ainda mais perigosa.

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